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Enchentes no Rio Grande do Sul: Desafios e soluções na perspectiva de Francisco Carlos Oliver

As recentes enchentes no Rio Grande do Sul trouxeram destruição a milhares de famílias e expuseram vulnerabilidades na infraestrutura urbana. Em entrevista ao Arena de Notícias, o engenheiro Francisco Carlos Oliver discute as causas, os impactos e as possíveis soluções para prevenir futuras catástrofes semelhantes.

04/06/2024 às 10h02 Atualizada em 10/07/2024 às 16h49
Por: Redação
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Rua alagada em Porto Alegre durante as enchentes de maio de 2024, que foram as mais severas em 80 anos | Arena de Notícias
Rua alagada em Porto Alegre durante as enchentes de maio de 2024, que foram as mais severas em 80 anos | Arena de Notícias

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 deixaram um rastro de destruição e desalojaram milhares de pessoas. Com mais de 400 municípios afetados, o estado enfrenta um estado de calamidade pública. Medidas emergenciais estão sendo tomadas para mitigar os danos e proporcionar assistência às vítimas​. Em meio a este cenário, o engenheiro Francisco Carlos Oliver analisa os fatores que contribuíram para a gravidade das enchentes e propõe soluções para melhorar a resiliência urbana frente a eventos climáticos extremos.

Arena de Notícias: Quais foram os principais fatores que contribuíram para a severidade das enchentes em Porto Alegre este ano?

Francisco Carlos Oliver: Acredito que não existiu uma causa única, de toda maneira a causa mais relevante entre as possíveis foi o grande acúmulo de precipitação localizada no sul do Brasil num curto espaço de tempo, não sendo possível de haver um escoamento adequado somente pela gravidade pois existem nas regiões afetadas diversos bolsões com níveis mais baixos que o nível do Guaíba após seu extravasamento para a área central da cidade assim como para outros pontos baixos da região. O que poderia ter sido construído em alguns pontos poderia ser como foi feito na cidade de São Paulo onde foram construídos diversos “piscinões” localizados estrategicamente onde historicamente havia enchentes recorrentes.

As bombas enviadas ao Rio Grande do Sul pesam cerca de 10 toneladas e têm a capacidade de transferir até 2.000 litros por segundo de água de um local para outro. | Governo de SP

Arena de Notícias: Como você avalia a eficiência dos sistemas de diques e casas de bomba existentes em Porto Alegre durante as enchentes recentes?

Francisco Carlos Oliver: Os sistemas de diques e casas de bomba em Porto Alegre tiveram uma atuação limitada durante as enchentes recentes. Esses sistemas são projetados para lidar com volumes de água dentro de certos limites, mas a intensidade e a duração das chuvas ultrapassaram a capacidade dessas estruturas. Houve dificuldades operacionais, especialmente devido ao grande volume de água que precisou ser gerido em um curto espaço de tempo. Melhorias são necessárias para aumentar a eficiência e a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos.

Arena de Notícias: Quais são os desafios específicos que Porto Alegre enfrenta em termos de infraestrutura de drenagem e como eles podem ser superados?

Francisco Carlos Oliver: Porto Alegre enfrenta vários desafios relacionados à infraestrutura de drenagem, incluindo a presença de áreas urbanas com baixa permeabilidade, sistemas de drenagem antiquados e falta de manutenção adequada. Para superar esses desafios, é crucial investir na modernização das redes de drenagem, implementar soluções de infraestrutura verde, como áreas de infiltração e telhados verdes, e realizar manutenções regulares. A criação de áreas de armazenamento temporário de água, como piscinões, também pode ajudar a mitigar os impactos das enchentes.

Arena de Notícias: Como a automação pode melhorar a resposta a eventos climáticos extremos em uma cidade como Porto Alegre?

O sistema completo de dosagem de cloro gás engloba as etapas de armazenamento, medição, controle e dosagem | Fluid Feeder

Francisco Carlos Oliver: A automação pode melhorar significativamente a resposta a eventos climáticos extremos em Porto Alegre ao permitir monitoramento em tempo real e controle automatizado de sistemas de drenagem e bombas. Sensores e sistemas de alerta precoce podem fornecer dados precisos sobre níveis de água e previsões meteorológicas, permitindo respostas mais rápidas e eficazes. A integração de tecnologias de IoT (Internet das Coisas) pode otimizar a operação das infraestruturas de drenagem, reduzindo o risco de falhas e melhorando a capacidade de resposta.

Arena de Notícias: Quais são as medidas emergenciais que podem ser implementadas para reduzir o impacto das enchentes em áreas urbanas densamente povoadas de Porto Alegre?

Francisco Carlos Oliver: Talvez uma das medidas seja realizar um estudo agora com as informações reais após a catástrofe de forma a “enxergar” os pontos baixos que mais foram afetados e projetar alguns “piscinões” para futuras enchentes e também prevendo bombas de grande capacidade de vazão para transposição dessas águas armazenadas. Também um planejamento urbano para tornar a calota urbana mais permeável às precipitações pluviométricas. Sobre o tempo de escoamento da água, acredito que com as bombas de drenagem de grandes capacidades de vazão já em operação da SABESP, CORSAN, etc., não demorará tanto para drenar, porém se voltar a chover com muita intensidade como nos últimos dias, será mais difícil realizar esta drenagem.

Arena de Notícias: Como o planejamento urbano pode ser adaptado para incluir soluções de drenagem mais resilientes às mudanças climáticas em Porto Alegre?

Francisco Carlos Oliver: Sim, agora com mais conhecimento dos problemas já causados por essa tragédia, podemos planejar algumas ações como as já descritas acima.

O sistema de tratamento de água para reuso da Fluid Feeder proporciona uma elevada clarificação da água, permitindo sua utilização em diversos processos sem causar problemas aos equipamentos a serem lavados. Além disso, o sistema elimina completamente os resíduos líquidos destinados ao descarte | Fluid Feeder

Arena de Notícias: Quais inovações tecnológicas você recomendaria para fortalecer a infraestrutura de drenagem em Porto Alegre?

Francisco Carlos Oliver: Creio que não há milagre, o que podemos fazer é pensar como poderemos abrir novas frentes de escoamento, como já citado anteriormente com piscinões, realizar um planejamento urbano de implantação de novas áreas de assentamento menos vulneráveis com cotas mais elevadas.

Arena de Notícias: Como a comunidade local pode colaborar com os esforços de mitigação e resposta às enchentes em Porto Alegre?

Francisco Carlos Oliver: A comunidade local pode colaborar ativamente com os esforços de mitigação e resposta às enchentes através de ações como participação em programas de educação e conscientização sobre gestão de riscos, voluntariado em iniciativas de limpeza e manutenção de sistemas de drenagem, e apoio a projetos comunitários de infraestrutura verde. Além disso, é importante que os moradores estejam atentos a alertas meteorológicos e sigam as orientações das autoridades durante situações de emergência.

Arena de Notícias: Você acredita que as mudanças climáticas estão tornando eventos de enchentes mais frequentes e intensos? Como isso influencia o planejamento de sistemas de drenagem?

Francisco Carlos Oliver: Devemos pensar que estes fenômenos estarão cada vez mais presentes em nossa atualidade forçando-nos a pensar “fora da caixinha”, ou seja, pensar em soluções disruptivas, como por exemplo as citadas cidades “esponjas” onde os calçamentos são mais permeáveis ou pelo menos semipermeáveis tornando os centros urbanos mais permeáveis às chuvas, fazendo com que o solo tenha capacidade de drenagem mais natural como acontece com as áreas mais verdes, evitando assim o acúmulo de água nos centros urbanos onde toda a calota impermeável leva as águas aos córregos e rios extravasando nas áreas mais baixas em um tempo muito curto.

 

Opinião do Arena de Notícias

A entrevista com o engenheiro Francisco Carlos Oliver evidencia não só a complexidade dos desafios enfrentados por Porto Alegre em relação às enchentes, mas também a profundidade de conhecimento necessário para abordar soluções eficazes. As autoridades devem ser responsabilizadas pela falta de planejamento e execução de medidas preventivas que poderiam ter minimizado os danos. É crucial reconhecer e elogiar as iniciativas que estão sendo tomadas para recuperar o estado do Rio Grande do Sul, incluindo investimentos em infraestrutura, apoio comunitário e inovação tecnológica. Com o empenho de especialistas como Oliver e a colaboração da sociedade, é possível construir um futuro mais resiliente e seguro para todos.

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